Suzano despenca no Investor Day, mas analistas apontam sinal de compra

Queda no Investor Day e reação exagerada

Na última quinta-feira, as ações da Suzano recuaram 4,3% durante o Investor Day, ao passo que o Ibovespa se manteve estável. Para boa parte dos analistas, a expressiva baixa refletiu mais um movimento técnico do que uma revisão dos fundamentos da empresa.

Análise do Itaú BBA

O Itaú BBA considera que o mercado superestimou as informações apresentadas pela administração. Segundo o banco, os desafios estruturais em oferta e demanda já eram amplamente conhecidos. Além disso, o Itaú destaca melhora no momentum de curto prazo e não descarta uma alta de US$ 10 a US$ 20 por tonelada na celulose branqueada de fibra curta (BHKP) ainda em dezembro.

Perspectiva da Genial Investimentos

A Genial vê a queda das ações como reflexo de três fatores externos e de interpretação equivocada das opções da gestão, e não de deterioração dos resultados:

  • Oscilação cambial: o recuo das taxas de juros nos EUA tem levado a expectativas de dólar mais fraco, mas, próximo ao ciclo eleitoral de 2026, o prêmio de risco tende a se elevar, revertendo esse cenário.
  • Ajuste doTOD para 2027: a revisão de dívida operacional-alvo reflete basicamente passagens de inflação e normalização cambial, sem impacto relevante nos custos internos.
  • Monetização de ativos: eventuais desinvestimentos seriam pontuais e focados em ativos com retorno acima da taxa interna de retorno da companhia, reforçando disciplina e geração de valor.

Recomendações e preços-alvo

Genial Investimentos

Recomendação de compra com preço-alvo de R$ 63,50 em 12 meses, o que aponta potencial de alta de 28%. A corretora ressalta o valuation descontado (EV/Ebitda 2025 em 5,7× vs. média histórica de 7×) e sólido free cash flow yield estimado em 16% para 2026, mesmo considerando preço de US$ 550/tonelada de celulose.

Itaú BBA

Classification outperform (acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 58, reforçando visão de que a queda foi pontual.

Bradesco BBI

Reforço de compra, elogiando a disciplina na alocação de capital e foco na extração de valor de aquisições, na redução de endividamento e em iniciativas de eficiência operacional.

JPMorgan

Posição overweight com preço-alvo de R$ 83,50, destacando baixos custos, desalavancagem e governança financeira rigorosa como pilares para sustentar o valor da ação.

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