Isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil redefine cálculo entre CLT e PJ
A partir de 2026, brasileiros que ganham até R$ 5 mil mensais ficam isentos do Imposto de Renda. A nova lei sancionada no fim de novembro de 2025 amplia a faixa de isenção e cria descontos graduais para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350.
O regime CLT oferece benefícios como férias remuneradas, 13º salário, FGTS e seguro-desemprego. Para quem passa a ser isento, a contratação em carteira tende a ser mais vantajosa, já que mantém direitos trabalhistas sem o desconto do IR.
“Na prática, as pessoas fazem uma conta de compensação. Se a CLT paga R$ 7,5 mil, como PJ é preciso faturar R$ 10 mil. A comparação deve incluir custo de oportunidade e benefícios implícitos”, explica Charles Gularte, sócio-diretor da Contabilizei.
No entanto, o cruzamento entre alíquotas e remuneração faz com que a opção PJ continue atraente para faixas salariais mais altas. Profissionais que atuam como pessoa jurídica podem negociar valores maiores, mas precisam reservar cerca de 30% do faturamento para cobrir férias, aposentadoria e impostos.
Quem recebe entre R$ 5.001 e R$ 7.350 entra em uma etapa de descontos proporcionais. Nesse cenário, a CLT ganha um alívio fiscal inédito, enquanto a PJ mantém flexibilidade na negociação de contratos.
Para autônomos cujo faturamento ultrapassa o teto do MEI (R$ 81 mil por ano), é obrigatório migrar para o Simples Nacional, com alíquotas iniciais de 4,5% que variam conforme atividade e receita. Já quem fatura mais de R$ 120 mil anuais pode optar por regimes de Lucro Presumido ou Lucro Real.
“O potencial de resultado líquido é maior, mas exige disciplina para gerenciar tributos, planejar provisões e cumprir obrigações contábeis”, alerta Diego Zacarias dos Santos, diretor da Contabilizei.