Celular do dono do Banco Master revela rede de contatos com STF e líderes do Congresso
Contatos de peso na agenda
O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, mantém em seu aparelho telefônico números de figuras influentes, como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e dirigentes do Congresso nacional. Após a quebras dos sigilos fiscal, bancário e telemático, a CPI do INSS teve acesso à lista de contatos que inclui, pelo menos, três ministros do STF, cinco senadores, vinte deputados e um governador.
Interferência nas investigações
Entre os nomes, destaca-se o ministro Dias Toffoli, responsável pela apuração de supostas irregularidades no Master. Reportagens apontam que Toffoli viajou em jato particular com advogado de diretor do banco e, em seguida, decretou sigilo sobre o inquérito, transferindo a custódia dos documentos ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O presidente da CPI do INSS classificou a medida como “grave” por enfraquecer a investigação.
Parlamentares e propostas barradas
Na lista de Vorcaro aparecem ainda o senador Ciro Nogueira, autor de uma emenda que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão – dispositivo apelidado de “emenda Master”, mas não incorporado ao texto final. Também figuram o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ex-presidente Arthur Lira, que negam relações pessoais com o banqueiro além de encontros institucionais.
Contratos e amizades estratégicas
Outro ministro citado é Alexandre de Moraes, cujo escritório celebrou contrato de R$ 3,6 milhões mensais com o Master. Kassio Nunes Marques declara não ter relação com Vorcaro, afirmando que seu número permanece público desde a sabatina no Senado. No âmbito do Supremo, esses registros reforçam suspeitas de convergência entre poder econômico e decisões judiciais.
Estratégia política e social
Vorcaro chegou a afirmar que, sem sua rede de “fortes amigos” em Brasília, não teria avançado nos negócios. Um episódio narrado por ele envolve o governador do Distrito Federal, que teria ligado a um aliado para obter referências antes da negociação de R$ 12,2 bilhões com o BRB. Para estreitar laços, o banqueiro adquiriu uma mansão de alto padrão na capital, transformada em ponto de encontro de autoridades e parlamentares.
Apontado em investigações
Ele foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de fraudes na concessão de créditos e crimes contra o sistema financeiro, ficando nove dias detido e sendo liberado com monitoração eletrônica. O Banco Central acabou liquidando o Master após identificar operação financeira de R$ 12,2 bilhões conduzida, segundo as autoridades, por “pura camaradagem” para burlar a fiscalização.