Alta do petróleo ultrapassa US$ 60 com tensões na Rússia e Venezuela

O petróleo avançou para além de US$ 60 o barril impulsionado por tensões geopolíticas envolvendo Rússia e Venezuela, após registrar sua menor cotação em quase cinco anos.

Os contratos futuros do Brent subiram até 2,5% com a perspectiva de novas sanções dos EUA contra a Rússia caso Moscou rejeite um acordo de paz para a Ucrânia. Entre as medidas estudadas em Washington está a opção de atingir a chamada frota paralela de petroleiros e intermediários que facilitam as exportação russas.

O então presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a Venezuela está “completamente cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul” ao bloquear navios sancionados na costa do país. Mesmo assim, o impacto no mercado deve ser limitado, já que a produção venezuelana responde por menos de 1% da oferta global.

Até o momento, as sanções aplicadas à Rússia não alteraram de forma significativa os volumes exportados, mas o Kremlin alega que tais medidas prejudicam a reconstrução das relações com os Estados Unidos.

No cenário global, o petróleo caminha rumo a uma queda anual, com oferta projetada para exceder a demanda neste ano e no próximo, impulsionada pelo aumento de produção da OPEP+ e de outros países. A Agência Internacional de Energia prevê um excedente recorde desde a pandemia.

“O mercado de petróleo tem absorvido os riscos de oferta com relativa tranquilidade, dada a escala do excedente esperado até 2026”, aponta Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities do ING.

A produção venezuelana cresceu desde os níveis mínimos de 2020, mas segue distante dos patamares históricos. No mês passado, petroleiros embarcaram cerca de 590 mil barris por dia, a maior parte destinada à China, em contraste com o consumo global de mais de 100 milhões de barris diários.

O petróleo Merey, principal variedade exportada pela Venezuela, é amplamente usado na produção de betume para pavimentação de rodovias chinesas. Nesta semana, os contratos futuros de betume em Xangai registraram a maior alta desde junho, após saírem do menor nível em quatro anos.

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