Escândalo do Banco Master intensifica cautela e mantém fundos de pensão longe de criptomoedas
Escândalo do Banco Master e a restrição ao cripto nas pensões
Embora países como os Estados Unidos já ampliem o acesso de fundos de pensão a criptomoedas, no Brasil a decisão segue travada. O caso do Banco Master reacendeu o receio das autoridades sobre riscos e falhas de governança.
O impacto do caso Banco Master
O colapso da instituição de Daniel Vorcaro está sob investigação por fraudes de até R$ 12 bilhões. Doze Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) aplicaram quase R$ 2 bilhões em CDBs do banco. O erro não foi a classe de ativo, mas a falha na análise e na escolha dos produtos.
RPPS x EFPC e a proibição atual
No Brasil, tanto os RPPS quanto as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) estão impedidos de investir em ativos virtuais. Em março, o Conselho Monetário Nacional citou a alta volatilidade e os riscos inerentes às criptomoedas ao vedar essa aplicação.
Fundos de pensão e responsabilidade sistêmica
No segundo trimestre de 2025, o patrimônio dos fundos de previdência complementar somou R$ 3,11 trilhões, o equivalente a 25% do PIB. Uma perda significativa pode desencadear efeitos dominó sobre crédito, mercado de capitais e contas públicas.
Possíveis caminhos para flexibilização
- Revisão da proibição pelo CMN conforme a maturidade do mercado de criptomoedas.
- Entrada via ETFs regulados e auditáveis pela CVM.
- Maior diversificação de portfólio em cenário de juros básicos mais baixos.
Experiência internacional
Nos Estados Unidos, estados como Indiana e Michigan já permitem exposição a bitcoin por meio de ETFs. No Reino Unido, um fundo aplicou US$ 65 milhões em cripto, e o maior fundo estatal do Japão estuda a mesma possibilidade.
À medida que o mercado de ativos digitais amadurece, o debate sobre inclusão de criptomoedas nos fundos de pensão brasileiros pode avançar, mas depende de regras claras e supervisão rigorosa.