Demissões em Massa Abalam Projeto de Minério em Simandou
Contexto do Megaempreendimento
Localizado na Guiné, o projeto Simandou representa a maior reserva de minério de ferro ainda inexplorada no mundo. Idealizado pelo governo militar como motor de transformação econômica, o empreendimento teve início oficial em novembro, pouco antes das eleições presidenciais marcadas para dezembro.
A ferrovia de 670 km e o novo terminal portuário foram construídos para viabilizar a exportação de até 120 milhões de toneladas por ano, o equivalente a cerca de 7% da demanda global. Apesar das expectativas, a riqueza mineral não traduziu em melhorias significativas para a população, onde mais da metade vive abaixo da linha da pobreza, segundo o Banco Mundial.
Redução drástica de empregos
Durante a fase de construção, o consórcio Rio Tinto-Simfer empregou cerca de 25.000 pessoas, sendo 82% guineenses, enquanto o Winning Consortium Simandou mobilizou dezenas de milhares em segmentos da ferrovia. No auge dos trabalhos, mais de 60.000 postos de trabalho foram gerados.
Com o término das obras, menos de 15.000 profissionais são agora necessários para operar a mina, a ferrovia e o porto. Em regiões como Dantilia e Kamara, a demissão de 9.500 funcionários nos últimos meses tem gerado apreensão e incerteza, sem perspectiva clara de recolocação.
Impactos sociais e econômicos
Especialistas alertam para os riscos de agitação social e aumento de acidentes após a rápida “desmobilização” da força de trabalho. Projetos similarmente gigantescos, como a mina de cobre de Oyu Tolgoi, na Mongólia, contaram com economias locais mais diversificadas que absorveram ex-funcionários.
Na Guiné, a falta de alternativas reforça a vulnerabilidade das comunidades ao redor, aprofundando a sensação de frustração entre aqueles que depositaram esperanças de progresso no empreendimento.
Planos de diversificação e reemprego
Como contrapartida, o governo lançou o programa “Simandou 2040”, que prevê investimentos em agricultura, educação, transporte, tecnologia, finanças e saúde ao longo de 15 anos. A proposta estima a construção de 3.000 km de rodovias e mecanismos de requalificação profissional financiados por receitas de mineração e capital privado.
Autoridades encomendam estudos de viabilidade e aguardam relatório da KPMG sobre estratégias de reemprego, previsto para ser divulgado após as eleições. No entanto, a cronologia dessas iniciativas e a capacidade de efetivar a transição permanecem incertas.