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Engie estuda incorporar 40% da Jirau e reacende debate sobre diluição e alavancagem

Engie avalia transferir 40% da participação em Jirau para sua subsidiária por meio de troca de ações, com oferta de direitos aos minoritários. Bancos projetam impactos na alavancagem e no valor das ações.

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Engie avalia transferência de participação na Jirau

A Engie criou um comitê para examinar a transferência de 40% da sua controladora na usina hidrelétrica Jirau para a própria empresa. Embora os detalhes da operação ainda não estejam definidos, uma das alternativas em estudo envolve a troca dessa fatia por novas ações, com oferta de direitos de preferência aos acionistas minoritários.

Avaliação de valores e estruturas

A XP Investimentos destaca que o movimento já era esperado, já que Jirau superou incertezas operacionais e agora gera fluxo de caixa livre positivo. Considerando um custo de capital próprio ajustado pela inflação de 10%, a estimativa é de que a usina esteja avaliada em cerca de R$ 13,7 bilhões ao fim de 2025, o que poderia resultar em oferta de direitos de aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

Outra possibilidade seria o pré-pagamento, com desconto, de parte da dívida da unidade de negócios de Jirau, mantendo a alavancagem estável e garantindo o compromisso com o plano de investimentos e o payout mínimo de 55%.

Opiniões de grandes bancos

Para o Morgan Stanley, a potencial transação favorece a estratégia de crescimento em geração limpa, aumenta a previsibilidade de receitas e amplia a plataforma hidrelétrica da Engie, adicionando cerca de 18% à energia assegurada e 12% ao EBITDA. No entanto, o banco alerta que a operação pode exigir emissão de ações para preservar o perfil de crédito, pressionando o rating e elevando o risco de diluição.

O Itaú BBA, por sua vez, estimou um valor patrimonial líquido de R$ 4,6 bilhões para os 40% de Jirau em 2025, com um múltiplo EV/EBITDA de 9,6 vezes. Apesar de reconhecer o potencial de crescimento, o banco ressalta possíveis impactos na alavancagem, dependendo da estrutura escolhida.

Cenários de implementação

O JPMorgan levantou três modelos: (1) combinação de troca de ações com captação primária, destinando recursos à gestão do passivo de concessão; (2) aquisição em caixa, que poderia demandar entre R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões, exigindo nova captação de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões para manter a alavancagem abaixo de 3,5 vezes; e (3) transferência por meio exclusivamente de troca de ações, sem oferta de novos papéis.

Recomendações de mercado

A XP mantém visão neutra para as ações da Engie, com preço-alvo de R$ 29,10, em função de uma taxa interna de retorno considerada moderada de 7,2%. O Itaú BBA também classifica os ativos como neutros, com objetivo de R$ 31,80. O Morgan Stanley reafirmou recomendação underweight, com preço-alvo de R$ 28,57, enquanto o JPMorgan segue com indicação de venda e preço-alvo de R$ 28,00.

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