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Empresas adiantam R$ 69 bi em dividendos antes do fim da isenção
Grandes companhias como Ambev e Suzano anteciparam R$ 69 bilhões em dividendos e JCP em 2025 para aproveitar a isenção de IR antes da nova tributação.

Antecipação recorde de proventos
Diversas empresas brasileiras usaram o fim da isenção de Imposto de Renda sobre dividendos como estímulo para adiantar pagamentos ainda em 2025. Nomes como Ambev, Suzano, Klabin, Itaú, Petrobras, Vale, Banco do Brasil, Axia e Copel anunciaram ou já efetivaram proventos que, juntos, somam R$ 69 bilhões entre dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).
Em alguns casos, o valor já está na conta dos acionistas; em outros, o prazo para ficar com as ações na carteira — e garantir a distribuição — já expirou. Ainda há, porém, empresas que mantêm o cronograma aberto para investidores comprarem ativos e participarem dos pagamentos.
Por que essa pressa?
A partir de 2026, dividendos que ultrapassarem R$ 50 mil mensais serão tributados em 10% na fonte. Os JCP já sofrem retenção de 15%. Para evitar essa cobrança e manter o retorno líquido aos acionistas, as companhias correram para declarar ou antecipar longas séries de pagamentos antes do prazo.
Remuneração via ações preferenciais resgatáveis
Algumas empresas adotaram alternativas que não exigem desembolso imediato de caixa. A Axia, por exemplo, convocou assembleia para definir a distribuição de até R$ 39,9 bilhões de suas reservas de lucros, além dos R$ 4,3 bilhões já anunciados em dividendos. A proposta inclui a criação de uma nova classe de ações preferenciais resgatáveis (PN), conversíveis em ordinárias até 2031, distribuídas proporcionalmente aos atuais acionistas.
A Localiza seguiu caminho semelhante, reunindo-se em dezembro para propor emissão de ações PN resgatáveis com direitos de voto iguais às ações ordinárias e um aumento de capital de R$ 2 bilhões utilizando reservas internas, sem aporte de recursos externos.
Vantagens para as companhias
- Distribuição em forma de bonificação usando reservas próprias.
- Sem saída de caixa novo, preservando a liquidez do balanço.
- Aproveitamento da atual isenção de IR antes da nova regra entrar em vigor.
Essas estratégias reforçam a estrutura de capital, mantêm a participação dos acionistas e oferecem ganhos indiretos, mesmo sem desembolso imediato em dinheiro.
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