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Selic: por que cortes de juros só devem acontecer em março de 2026
Apesar da inflexão na inflação, o Copom mantém a Selic em 15% e confirma que os cortes de juros só deverão ter início em março de 2026, eliminando expectativas de redução em janeiro.

Copom mantém Selic em nível contracionista
O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu, em sua última reunião, manter a taxa Selic em 15% ao ano. O comunicado reforçou que a política monetária seguirá em “patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, sinalizando que a primeira redução só deve ocorrer em março de 2026.
Expectativa por corte em janeiro fracassa
Antes da decisão, parte do mercado apostava em um corte já na reunião de janeiro, motivada pelo recuo da inflação. No evento em que comentou a manutenção da frase de política monetária, o presidente do Bacen, Gabriel Galípolo, ressaltou que a expressão não se renova a cada ato, mas permanece nos comunicados, o que chegou a alimentar o entendimento de uma possível flexibilização antecipada.
Inflação mostra sinal de arrefecimento
Dados do IBGE revelaram que o IPCA acumulou alta de 4,46% em 12 meses até novembro, abaixo do teto da meta pela primeira vez em mais de um ano. Na medição anterior, o índice estava em 4,50% no período. A pesquisa Focus mostrava expectativa de inflação em 4,40% para 2025, ainda acima do centro da meta de 3%.
Tom mais duro afasta reduções antecipadas
Analistas avaliaram que o teor do comunicado foi mais hawkish do que o mercado esperava. “O tom firme joga para março a possibilidade de corte. Isso descarta a chance de redução em janeiro”, afirma Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital. Segundo ele, o Copom precisará usar a reunião de janeiro para preparar o terreno discursivo para um eventual corte em março.
O Comitê destacou, ainda, que a inflação de serviços permanece resistente e que o IPCA segue acima do centro da meta, podendo alcançar até 4,5% em 12 meses. “Tenho que perseguir uma meta de inflação de 3%”, reforçou Galípolo em audiência no Senado.
Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, acrescenta que “a estratégia do Banco Central permanece a mesma: cortes apenas a partir de março de 2026, caso os dados venham em linha com o esperado”.
Ajustes sutis na comunicação
O texto do Copom apresentou pequenas alterações em relação ao comunicado anterior, mas de grande impacto para os analistas. Natalie Victal, economista-chefe da SulAmerica Investimentos, aponta a inclusão da noção de “integral” ao falar em “estratégia em curso” e a troca de “suficiente” por “adequada”, sinalizando maior convicção no patamar de juros elevado.
Para José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, a mudança indica que 15% não só era suficiente, mas também o nível adequado para o momento, sem sugerir necessidade de elevação adicional.
Possibilidade remota de corte em janeiro
Apesar do consenso em torno de março, algumas casas ainda veem chance para janeiro. Iana Ferrão, economista do BTG Pactual, e Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, consideram que a continuidade da desaceleração econômica e nova queda dos núcleos de inflação podem justificar uma flexibilização já na primeira reunião de 2026.
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