Taxa de juros (política monetária)

A taxa de juros possui forte interferência na economia, pois é através dela que os agentes, em geral, decidem entre viabilizar um projeto de investimento e aplicar esse valor em um título público, o qual renderá uma taxa de juros próxima à da Taxa Selic. Também influencia na decisão de gastar em bens não produtivos e lazer em vez de deixar o dinheiro aplicado, aumentando assim o consumo agregado (C). Sendo assim, uma taxa de juros alta significará poucos investimentos e baixo nível de consumo, e uma taxa de juros baixa significará maiores investimentos produtivos e maior nível de consumo.
Contudo, taxa de juros real (descontada a inflação) alta significará baixa demanda agregada, não exercendo pressão inflacionária, mas também baixo crescimento do PIB. Taxa de juros real baixa favorecerá o crescimento do PIB, mas também poderá exercer pressão inflacionária pelo aumento da demanda agregada.
Esse é um dos maiores, se não o maior, conflito do governo brasileiro, como também da maioria dos governos mundiais, cuja questão central é privilegiar o controle dos preços ou o crescimento do PIB. Se o objetivo maior for controlar a inflação, haverá assim outro problema, que é em quanto deve ser fixada a taxa de juros. Essa questão não tem uma resposta, e é apenas resolvida após algumas tentativas do governo, o qual supervisiona os índices inflacionários após mudança da taxa de juros, o que gera muitos embates no meio econômico.
A meta da taxa de juros é definida pelo Copom, com o intuito de ajustar a inflação de acordo com a meta de inflação estipulada pelo CMN. A demanda e a oferta de títulos definem a taxa de juros real. Logo, a partir da meta definida, o Bacen intervém comprando e vendendo títulos públicos para que a taxa fique em torno da meta definida pelo Copom.

Tabela 2.4 Ranking dos países com as dez maiores taxas de juros reais (mar. 2008).
 

Posição
 
País
 
Taxa (% a.a.)
 
1o
 
Brasil*
 
6,73
 
2o
 
Turquia
 
6,69
 
3o
 
Austrália
 
4,89
 
4o
 
México
 
4,18
 
5o
 
Inglaterra
 
3,23
 
6o
 
Colômbia
 
2,89
 
7o
 
Dinamarca
 
2,16
 
8o
 
Canadá
 
2,00
 
9o
 
Holanda
 
1,96
 
10o
 
Coréia do Sul
 
1,65
 

Fonte: UpTrend Consultoria.
* Considera a taxa de juros nominal de 11,25%.

Taxa Selic: taxa de juros média que incide sobre os financiamentos diários com prazo de um dia útil (overnight) lastreados por títulos públicos registrados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).

Copom: órgão do BC, cujos membros são os próprios diretores do BC, instituído em 20 de junho de 1996 com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política monetária (meta de inflação estabelecida pelo CMN) e definir a taxa de juros.

As reuniões ordinárias do Copom dividem-se em dois dias: a primeira sessão às terças-feiras e a segunda às quartas-feiras, totalizando oito reuniões ao ano (há a possibilidade de reuniões extraordinárias).
O Copom pode estabelecer um viés de taxa de juros (de elevação ou redução), prerrogativa que autoriza o presidente do Bacen a alterar a meta para a taxa Selic na direção do viés a qualquer momento entre as reuniões regulares do Copom. O viés é utilizado, normalmente, quando alguma mudança significativa na conjuntura econômica for esperada.
Ao final de cada trimestre civil (março, junho, setembro e dezembro), o Copom publica, em português e em inglês, o documento “Relatório de Inflação”, que analisa detalhadamente a conjuntura econômica e financeira do país, bem como apresenta suas projeções para a taxa de inflação.

Órgãos similares em outros países:

• EUA – Federal Open Market Committee (FOMC) do FED;
• Alemanha – Bank Council;
• Inglaterra – Monetary Policy Committee (MPC).

No Gráfico 2.3, identificamos os motivos das altas taxas de juros praticadas no período do Real. Os momentos de crise levam ao país a pagar maior prêmio ao risco para impedir grandes fugas de capitais e devido à maior dificuldade em “rolar” sua dívida. A linha de tendência deixa clara a tendência baixista da Selic nos últimos dez anos, mas feita com bastante suavidade pelo Copom.

Fontes: BCB-Demab/Copom.
Gráfico 2.3 Taxa de juros nominal ao ano (Selic) – 1/1996 a 3/2008.

Taxa de redesconto: taxa cobrada pelo Bacen para emprestar recursos aos bancos em casos de emergência. O Bacen pode influenciar a quantidade de empréstimos alterando essa taxa.

Depósito compulsório: obrigação dos bancos de depositar percentual dos depósitos no Bacen, influenciando a capacidade de criação de moeda escritural por parte dos bancos. Índice que esteve em 100% no início do Plano Real, agora se encontra em 53% (2008).

Meios de pagamento: ativos financeiros que podem ser usados para o pagamento de dívidas, contratos, transações comerciais e financeiras. São classificados em:

M1: ativos mais líquidos da economia. Compostos por moeda metálica, papel-moeda em poder do público e depósitos a vista, cheques;

M2: M1 + os títulos da dívida pública, com características de quase-moeda;

M3: M2 + as cadernetas de poupança;

M4: M3 + os títulos de dívida privados.

Base monetária: moeda em circulação mais depósitos bancários a vista junto à autoridade monetária, que incluem o recolhimento compulsório sobre depósitos a vista.

Influência da taxa de juros norte-americana

Como em todo investimento, os retornos são comparados aos riscos. O ativo de menor risco do mundo são os títulos do governo norte-americano. Contudo, uma elevação em sua taxa básica promovida na reunião da Fomc pelo FED ocasiona movimento de fluxo do capital em direção aos EUA, pois qualquer oscilação influencia os primeiros indecisos e avessos ao risco.
Esse fluxo é sentido principalmente nas economias dos paí­ses emergentes como o Brasil, onde as bolsas de valores também são afetadas ocasionando fortes quedas, e, com isso, os títulos desses países perdem atratividade.

Juros país emergente = juros ativo sem risco (título americano) + prêmio ao risco (risco país)

Conforme o Gráfico 2.4, podemos observar o ajuste sofrido nos EUA desde o início de 2001 e prolongado em decorrência do atentado de 11 de setembro que fez o nível de consumo norte-americano cair drasticamente devido ao pânico – o banco central norte-americano teve que baixar a taxa de juros da faixa de 3% para 1%, o qual só iniciou sua recuperação no final de 2004, e em meados de 2006, devido à preocupação inflacionária, chegou até 5,25%.

Fonte: FED (<http://www.federalreserve.gov/FOMC/>).
Gráfico 2.4
Taxa de juros norte-americana 2/2000 a 3/2008.

Risco país

O risco país é um índice denominado Emerging Markets Bond Index Plus (Embi+) e mede o grau de “perigo” que um país representa para o investidor estrangeiro; sendo assim, seu prêmio ao risco. O risco país é calculado por agências de classificação de risco e bancos de investimentos. O banco de investimentos americano JP Morgan, que possui filiais em todo o mundo, foi o primeiro a fazer essa classificação.
O JP Morgan analisa o rendimento dos instrumentos da dívida de um determinado país, principalmente o valor (taxa de juros) com o qual o país pretende remunerar os aplicadores em bônus, representativos da dívida pública. Contudo, o risco país é a sobretaxa que se paga em relação à rentabilidade garantida pelos bônus do Tesouro dos EUA (título público norte-americano), país considerado o mais solvente do mundo, ou seja, o de menor risco de um aplicador não receber seu dinheiro investido e acrescido dos juros prometidos.
Os fatores avaliados são, principalmente, aspectos como o nível do déficit fiscal, as turbulências políticas, o crescimento da economia e a relação entre arrecadação e a dívida de um país.
Exemplo de cálculo de taxa de juros mínima:
Taxa de juros EUA: 3,00%
Risco Brasil (prêmio ao risco): 200 pontos base (2,00%)
Taxa de juros real (descontada a inflação) brasileira mínima: 5,00% (3,00% + 2,00%)
IPCA (índice brasileiro de inflação considerado): 4,00%
Taxa de juros nominal brasileira mínima: 9,00%
(5,00% + 4,00%)
Conforme o Gráfico 2.5, o risco Brasil apresenta, ao final de 2008, seu menor nível histórico, e a tendência de baixa tende a continuar. Com isso, podemos perceber a forte correlação (negativa) do risco país com o nível da bolsa brasileira, isto é, quando um sobe o outro cai, e vice-versa. Logo, a perspectiva é que o Ibovespa continue a acompanhar inversamente a queda do risco. Do contrário, se o risco país inverter sua tendência, a bolsa, provavelmente, acompanhará seu movimento de inversão.

Fontes: Bovespa e JP Morgan.
Gráfico 2.5 Risco Brasil × Ibovespa (set./2004 a abr./2007).

Monetaristas

Milton Friedman, economista ortodoxo, representante da Escola de Chicago de Economia e defensor do livre mercado, é associado às teorias “monetaristas”, que consideram que a inflação pode ser controlada quase que exclusivamente pela oferta de moeda. O economista ganhou o Prêmio Nobel de Economia de 1976 por suas realizações nos campos de análise do consumo, de história monetária e da teoria e demonstração da complexidade da política de estabilização.


 

 



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