Artigos sobre finanças pessoais, economia e investimentos elaborados pelo profissional de investimentos CNPI Leandro Martins.


Artigos relativos à macroeconomia



OS DESAFIOS DA ECONOMIA BRASILEIRA

O Brasil foi o país que mais cresceu entre 1950 e 1980, mas em compensação após 1980 amargamos um dos crescimentos mais pifeis em relação ao resto do mundo. Nesses últimos 25 anos, por 19 vezes a economia brasileira cresceu menos que a média mundial.

Tal reversão pode ser atribuída à crise do Petróleo de 74, ao Governo Sarney e sua constituição de 88. Na crise do Petróleo herdamos até o hoje o endividamento irresponsável, e no Governo Sarney tivemos todas as possíveis medidas econômicas executadas erroneamente. Com a constituição de 88 estamos evoluindo a nos tornar o país com maior tributação devido aos exageros concedidos aos previdenciários e ao funcionalismo público (administrativo), exageros os quais, o atual presidente considera como forma de distribuição de renda.

Somos o único país que o funcionário público se aposenta com o mesmo salário ou em alguns casos com maior remuneração. Possuímos gastos com previdência muito acima da média mundial. Por isso a reforma administrativa e da previdência são as ações mais urgentes em nossa economia.
 
A reforma tributária é de suma importância. O governo é considerado o “Robin-Hood” às avessas, pois tributa em maior proporção o pobre e gasta mais com o rico, e com isso aumentamos nossa desigualdade social. Restringimos nosso aumento de produtividade (baixa qualidade de educação aos pobres) e aumentamos a violência.
A manutenção do superávit primário é fator essencial para atração do capital externo, mas investimentos são necessários e serão viabilizados com a diminuição dos gastos do governo. Principalmente em infra-estrutura, pois caso crescêssemos como os emergentes, em alguns anos poderíamos ter um novo “apagão”.
 
Há mais de 20 anos que perdemos poupança, e com isso não investimos em infra-estrutura, fato que ocasiona a diminuição de investimentos. Nosso investimento que está em torno de 20% do PIB necessita chegar a pelo menos 25% do PIB. Necessidade dificultada pelo ambiente desfavorável aos negócios, alto grau de informalidade e excessiva burocracia. Para se ter uma idéia, para se abrir um empresa no Brasil demora-se em média 152 dias frente a 2 dias na Austrália.
 
Conforme pensamento de Douglas North, vencedor do Nobel de economia de 1993, as instituições (como o Governo) exercem forte influência para garantir ambiente favorável aos investimentos e conseqüente geração de empregos.
 
TOTAL DE DIAS NECESSÁRIOS PARA SE ABRIR UMA EMPRESA – PAÍSES SELECIONADOS
País
Dias
Austrália
2
Canadá
3
Dinamarca
5
Estados Unidos
5
França
8
Itália
13
Reino Unido
18
Alemanha
24
Irlanda
24
Chile
27
Áustria
29
Japão
31
Argentina
32
Rússia
33
Bélgica
34
África do Sul
38
Uruguai
45
Bolívia
50
Portugal
54
Índia
71
Brasil
152
Fonte: World Development Indicators database (WDI) - Banco Mundial
 
O crescimento do PIB é considerado o principal fator de uma economia, mas esse crescimento deve ser sustentado, por baixa inflação e estoque considerado de reservas internacionais, predicados já alcançados por nossa economia, e que devem ser mantidos.
 
Devido ao baixo nível educacional, alto grau de corrupção, elevada carga tributária (em virtude dos altos gastos), precária infra-estrutura, concentração de renda, ineficiência da justiça e grande burocracia, o Brasil não consegue bons níveis de investimentos, e todos esses fatores resultam, desde a década de 80, em baixo crescimento econômico.
 
MEDIDAS PARA CRIAR CONDIÇÕES ADEQUADAS PARA O CRESCIMENTO: 
- as reformas: administrativa e da previdência (diminuir gastos), e tributária (simplificar, praticar progressividade e diminuir tributos);
- investimento em educação (com melhoria da qualidade do gasto) e em infra-estrutura, e maior acesso ao crédito;
- combate à corrupção, ao excesso de burocracia e à ineficiência da justiça (regulação, respeito aos contratos e propriedade, e melhora da legislação trabalhista).
 
A estabilidade dos preços (controle da inflação), taxa de juros real de um dígito (abaixo de 10% a.a.), o aumento das reservas internacionais, o superávit comercial e o superávit primário dos últimos anos foram os avanços econômicos conquistados recentemente e que são bem vistos por todo o mercado. Porém, estão longe de serem suficientes para a retomada do crescimento sustentável. A reforma fiscal, um maior investimento em infra-estrutura (energia, transportes, saneamento e redes de comunicação) e em educação, e a criação de um ambiente favorável aos investimentos privados serão fundamentais para conseguirmos crescer e justificar a permanência do Brasil no BRIC.
 
 
LEANDRO MARTINS NO JORNAL VALOR ECONÔMICO
ESTRATÉGIAS AGRESSIVAS NA BOLSA - NO JORNAL ESTADÃO
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TESOURO DIRETO
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