Artigos sobre finanças pessoais, economia e investimentos elaborados pelo profissional de investimentos CNPI Leandro Martins.


Artigos relativos à macroeconomia



INFLAÇÃO NO BRASIL

 O brasileiro, mais do que qualquer outro, sabe o que é inflação, fantasma que nos atormenta até hoje. A definição teórica de inflação é a elevação da taxa de variação relativa dos preços. Se houver o contrário, ocorrerá deflação.

A inflação é considerada umas das principais causas de concentração de renda, pois a parcela mais pobre da população é a que mais sofre com a depreciação do dinheiro, por não ter acesso a bancos, e, por conseguinte, a aplicações financeiras. Por outro lado, vimos setores do comércio (como os supermercados) e o próprio governo lucrar muito com a inflação (não corrigindo a tabela do Imposto de Renda, por exemplo).

A constante elevação dos preços também causa um dos principais conflitos da política econômica atual, pois seu controle é praticamente feito à base da restrição do crescimento (pouco investimento produtivo e baixa demanda agregada devido à alta taxa de juros) ou desequilíbrio externo (perda de reservas ao controlar o câmbio quando no regime fixo).

A taxa de inflação buscada não tem como meta inflação zero, mas sim semelhante à de países desenvolvidos cujas taxas ficam em torno de 2% a 4%, até conseguidas pelo Brasil nos últimos anos.

No Brasil, sua explosão iniciou-se na segunda metade da década de 80 e se intensificou no desastroso governo Sarney e com a Constituição de 1988. No governo Collor, também ocorreu hiperinflação, só controlada a partir de 1994 com o Plano Real.

A estabilização conseguida pelo Plano Real foi conseguida através da âncora cambial (câmbio fixo) e à base de alta taxa de juros real (para restringir o consumo agregado, diminuir os investimentos produtivos e incentivar a entrada de capital estrangeiro especulativo). Sem pressão da demanda (chegou-se a elevar o depósito compulsório a 100%) e com a concorrência de produtos importados mais baratos e melhores, o cenário montado foi realmente propício para a estabilização.

Tipos de inflação:

i)     
de demanda: ocorre justamente quando a demanda agregada se encontra acima da oferta agregada, gerando pressão inflacionária. O aumento de demanda pode ser ocasionado pelo aumento de emissão de moeda efetuado pelo governo para cobrir déficits, denominado como senhoriagem, como também pela queda da taxa de juros;

ii)    
de custos: ocorre devido à elevação dos custos de produção, com isso os preços finais da mercadoria, conseqüentemente ficarão fixados num patamar mais elevado, independentemente do nível de demanda no segmento de mercado. Pode ser gerada, também, pela depreciação da moeda local, elevando o preço de certos insumos importados;

iii)   
estrutural: esta, menos freqüente, é ocasionada pela ineficiência de serviços fornecidos pela infra-estrutura de uma determinada economia, que elevará os custos de produção e em seguida ocasionará o aumento dos preços das mercadorias no mercado;

iv)   
inercial: consiste no conceito de que a inflação futura será pelo menos a inflação passada;

v)    
hiperinflação: geralmente, iniciada por uma inflação inercial que passa a apresentar altos índices de elevação do preço, atingindo certo patamar acima de 50% ao mês.

Custos da inflação

i)     
piora da distribuição de renda: devido ao não-acesso às aplicações financeiras da parcela mais pobre da população e defasagem do salário mínimo (até o seu novo reajuste);

ii)    
distorções tributárias: demora por parte do governo para corrigir a tabela do Imposto de Renda;

iii)   
sola de sapato: necessidade de maior pesquisa em busca de distorções nos preços;

iv)   
de menu: custo para atualizar cardápios, remarcar preços etc.

Metas de inflação

Definidas pelo Conselho Monetário Nacional, o sistema de metas de inflação adotado pelo Decreto no 3.088, em 21 de junho de 1999, é utilizado como diretriz de política monetária.

Diferentemente do regime de metas de inflação adotado pela Estados Unidos e por outros países desenvolvidos, que acompanham a meta de inflação por um índice que expurga bens comercializáveis e de preços administrados chamado de CPI Core, o governo brasileiro fixa uma taxa de inflação a ser atingida (utiliza o IPCA como base) e adiciona uma tolerância acima e abaixo do índice, e é obrigado a mover os juros (taxa Selic) de modo a manter o IPCA sempre no interior deste intervalo.

Por exemplo, a meta de inflação para 2006 e 2007 foi estipulada em 4,5%, com a possibilidade de oscilação (tolerância) de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo, ou seja, podendo ficar entre 2,5% e 6,5%

 

Principais índices de inflação

IPCA (IBGE) – Índice de Preços ao Consumidor Ampliado. É calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além do Distrito Federal e do Município de Goiânia. Mede a variação nos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos. O período de coleta de preços vai do primeiro ao último dia do mês corrente e é divulgado aproximadamente após o período de oito dias úteis.

INPC (IBGE) – Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Calculado pelo IBGE nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além do Distrito Federal e do Município de Goiânia. Mede a variação nos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda entre 1 e 8 salários mínimos. O período de coleta de preços vai do primeiro ao último dia do mês corrente e é divulgado aproximadamente após o período de oito dias úteis.

IPC (Fipe) – Índice de Preços ao Consumidor, calculado pela Fipe/USP, mede a variação dos preços de produtos e serviços, no Município de São Paulo, para famílias que ganham entre 1 e 20 salários mínimos.

IGP-M (FGV) – Índice Geral de Preços de Mercado. Índice que mede a variação de preços no mercado de atacado, de consumo e construção civil. Este índice é formado pela soma ponderada de outros três índices: Índice de Preços ao Atacado (IPA), com um peso de 60%; Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com um peso de 30%; e Índice Nacional da Construção Civil (INCC), com 10%. O IGP-M considera todos os produtos disponíveis no mercado, inclusive os que são importados.

IGP-DI (FGV) – Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna. É calculado pela FGV entre o primeiro e o último dias do mês. Sua divulgação ocorre por volta do dia 10 do mês seguinte. Mede os preços que afetam diretamente a atividade econômica do país, excluídas as exportações. A exemplo do IGP-M, também é composto pela média ponderada do IPC, IPA e INCC, calculados para o respectivo período.

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