Artigos sobre finanças pessoais, economia e investimentos elaborados pelo profissional de investimentos Leandro Martins.


Artigos relativos à macroeconomia



ENTENDA A ATUAL CRISE ECONÔMICA

Com o estouro da bolha da internet em 2000, e agravado pelos atentados de 11 de setembro em 2001, o Banco Central norte-americano iniciou um ciclo de queda de sua taxa de juros, com o intuito de aumentar o crédito doméstico (gráfico ao final do artigo). Com isso o consumo foi fortemente estimulado, principalmente no ramo imobiliário, pressionando os preços dos imóveis, e cada vez mais as hipotecas foram utilizadas. Chegou ao ponto dos consumidores, norte-americanos, solicitarem cada vez mais crédito aos bancos oferecendo como garantia suas casas que ficavam ano a ano mais valorizadas.

Devido a alta liquidez, as concessões de créditos chegaram a ser oferecidas a clientes considerados de alto risco (subprime). O cliente "subprime" é um cliente de renda muito baixa, por vezes com histórico de inadimplência e com dificuldade de comprovar renda. Em busca de rendimentos maiores, gestores de fundos e bancos compram esses títulos "subprime" das instituições. Se o tomador não consegue honrar sua dívida, ocasiona um efeito “dominó” por parte dos credores desses títulos. O que ocasiona uma crise de liquidez, ou seja, a retração do crédito.

Após atingir seu topo no final de 2006, os preços dos imóveis passaram a cair: os juros do Fed, que vinham subindo desde a metade do ano de 2004, encareceram o crédito e afastaram compradores. Com isso, a oferta começou a superar a demanda e desde então o que se viu foi uma fortíssima queda no valor dos imóveis. Com o estouro da bolha imobiliária com os preços em forte queda, as garantias utilizadas pelos devedores já não possuem o mesmo valor, com isso fortes prejuízos foram absorvidos pelos bancos norte-americanos e até de outros países, contaminando toda a economia. Com os juros altos, a inadimplência aumentou e com menos liquidez se restringiu o consumo, os lucros das empresas e aumentou o desemprego.

Contudo, a crise Imobiliária resultou na queda do consumo norte-americano, uma desaceleração econômica com inflação, além do aumento do desemprego nos Estados Unidos. Medidas como o pacote de ajuda e os cortes de juros não foram suficientes, pois são de longo prazo. Com o risco espalhado por toda a economia, ocorre uma crise de liquidez. A crise impactará na economia brasileira com a fuga de capital estrangeiro nos investimentos, maior restrição ao crédito, diminuição das exportações e forte diminuição do consumo interno. Conseqüentemente, além do risco de demissões em massa, deveremos ter forte queda nos preços em geral, como automóveis, imóveis, ações negociadas na bolsa de valores etc.
 

ENTENDA A ATUAL CRISE ECONÔMICA
A INFLUÊNCIA DA TAXA DE JUROS (SELIC) NOS INVESTIMENTOS
TESOURO DIRETO
ANÁLISE GRÁFICA REVELA ALTA DO DÓLAR
OS DESAFIOS DA ECONOMIA BRASILEIRA